SOBRE O CONGRESSO


A proposta da realização de um Congresso de Psicologia da Universidade Federal de Goiás (UFG) surgiu com o próprio curso. Criado em 2005, tal curso ambiciona “oferecer uma formação sólida, rigorosa e consistente que dê condições para seus alunos, no transcorrer do curso e no seu futuro como pesquisadores e profissionais, enfrentarem de forma consciente e crítica as vicissitudes dos indivíduos emergentes na Sociedade Brasileira”.

Procurando assegurar esse anseio, no Projeto Político Pedagógico (PPP) do curso foi proposto a elaboração de um espaço diferenciado de formação na estrutura curricular: os Laboratórios de Atividades Integradas (LAI). Estes teriam um formato distinto das disciplinas convencionais e estariam orientados para o desenvolvimento de diversificadas atividades de caráter acadêmico-cultural. A cada ano, os Laboratórios seriam orientados por uma temática geral referente à formação do psicólogo. Nessa perspectiva, os Congressos de Psicologia da UFG objetivam a constituição de um espaço de discussão teórica, filosófica, conceitual, epistemológica e prática. Construído pelos próprios discentes da disciplina LAI - Psicologia e Intervenção Social, possibilitando uma intervenção tanto no espaço acadêmico, por trazer a ele novas demandas, questionamentos, objetos de estudos e problemas, quanto na realidade externa à Universidade, por permitir uma interlocução entre pesquisadores, profissionais e usuários dos serviços psi de modo a transformar a realidade da qual esses mesmos problemas e debates emergem.

Assim, os Congressos de Psicologia da UFG, fundamentados em uma perspectiva crítica, dialética, transformadora e socialmente orientada, constituem-se como espaços privilegiados à própria ressignificação da psicologia como ciência e profissão, rediscutindo suas bases teóricas, filosóficas e práticas, e apontando possibilidades de transformação e recriação. A partir disso, da questão levantada por Melman (2007) de que todo discurso, ainda que muito sábio, é capaz e tende a anular a existência do sujeito, e da necessidade levantada por Yamamoto (1987) de considerar a fundamental natureza da ciência psicológica de ser uma técnica de poder e/ou uma força produtiva, a comissão organizadora do XIII Congresso de Psicologia da UFG decidiu por trabalhar, no ano de 2018, com o tema "Da margem ao centro: psicologia e seus silenciamentos", objetivando criar possibilidades de debate que rompam com as bases norteadoras de uma psicologia “clássica”. Portanto, nesse ano, o XIII Congresso de Psicologia da UFG busca reunir além de estudantes, professores/as, pesquisadores/as e profissionais da psicologia e de áreas afins, os usuários/as dos serviços psi’s para se discutir as possibilidades de uma outra psicologia, de outras teorias, conceitos, práticas e filosofias.


EIXOS TEMÁTICOS


Estado, política e movimentos sociais

Discussão sobre o Estado a partir de variadas compreensões sobre tal. Debates sobre política na história do mundo e do Brasil, análises das políticas institucionais e/ou de base, políticas públicas, governo. Produções sobre movimentos sociais, análise de diferentes movimentos sociais, relação entre movimentos sociais e Estado/política. Relações entre Estado, política, movimentos sociais e subjetividade. Apropriações e conceitos da psicologia para o entendimento de estado, política e movimentos sociais.

Pobreza, desigualdade e capitalismo

Discussão conceitual sobre pobreza e desigualdade, implicações da pobreza/desigualdade na subjetividade, na prática psi, na vida cotidiana. Debate em torno da reprodução do capitalismo na vida privada, capitalismo e subjetividade, capitalismo e sofrimento, enfrentamento ao capitalismo a partir da psicologia. Relações entre psicologia e capitalismo.

Saúde mental, reforma psiquiátrica e práticas alternativas/contra hegemônicas

Contextualização histórica da reforma psiquiátrica e a institucionalização das populações excluídas e marginalizadas. Movimento antimanicomial, antiproibicionismo. A construção das políticas públicas de saúde. Desafios da conjuntura atual e o funcionamento dos centros atenção psicossocial e dos consultórios de rua. Medicalização e normalização da vida cotidiana. A política de redução de danos.

Mulheres, subjetividade e combate a processos de marginalização

Contextualização histórica da condição feminina, movimentos feministas, invisibilidade política, discriminação, violência doméstica, sexual, assédio, feminicídio e como essas questões afetam a subjetividade e as relações sociais. O papel dos movimentos sociais e feministas no combate ao silenciamento feminino. Desenvolvimento de políticas públicas e produção de conhecimentos para a igualdade de gênero. Adoecimento mental e consequências psíquicas da violência contra a mulher. Profissionais e práticas de atendimento e apoio à vítima de violência de gênero.

LGBTs, subjetividade e combate a processos de marginalização

Conceituações sobre diversidade sexual e de gênero. Identidades lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis. Patologização das identidades e falácia da cura sexual. Superação das desigualdades e movimentos LGBTs. Políticas públicas e práticas psicológicas. Subjetividade LGBT e sofrimento por LGBTfobia.

Negras/os, Quilombolas e Indígenas, subjetividade e combate a processos de marginalização

História das relações étnico-raciais, das populações historicamente discriminadas, e como elas interferem na subjetividade e nas relações entre os sujeitos. Desenvolvimento de políticas públicas, educação para as relações étnico-raciais e ações afirmativas para a inclusão. Sofrimento psíquico e adoecimento mental como consequência da desigualdade social, discriminação racial e exclusão.